Crônica publicada no jornal “O Diário” de Campos dos Goytacazes, em 27 de janeiro de 2012.
O cristianismo no Brasil vive momentos de muita exposição na mídia através de certos religiosos-artistas ou “padre-boa pinta-sensual”, que excitam as platéias. Eu não acredito no valor evangelizador desses shows para “divulgar” a mensagem de Cristo. O que vejo são “fãs” gritando e acenando, ante um padre cantor, maquiado, com olhares sensuais, parecendo estar num clímax de excitação. Seria a forma de evangelização que agora recomenda a Igreja Católica para o Brasil? Duvido, mas há um ditado que diz: “quem cala consente”!
Ao ver as deprimentes propagandas de shows desses padres, me lembro do que disse o insigne Doutor da Igreja Católica, São Jerônimo: “Procurando na História quais os homens que têm difundido na Igreja o veneno das heresias, não encontrei outros senão os padres”. Será que São Jerônimo estava incompetente quando escreveu isso ou suas palavras perderam valor? Que será que ele diria hoje sobre esses padres-cantores que não tem tempo para celebrar missas?
É triste ver na televisão certo padre travestido de leigo, maquiado, usando roupas de luxuosa grife, ao lado de mulheres seminuas e de apresentadores que dão a entender serem defensores do aborto, eutanásia, promiscuidade, inimigos das virtudes, e amigos dos vícios. Seriam os shows e a venda de CDs, DVDs e livros a meta da Igreja? O mundo necessita de um cristianismo da palavra, pois se ela estiver fragilizada teremos uma “Igreja” de discursos vazios, e todos os padres deveriam trazer fiéis às igrejas para rezar, escutar a palavra, e para a partilha do pão e do vinho, não para shows. Seria o nascer de uma igreja brasileira diferente da Igreja de Roma?
Será que se lembram do padre, José Pinto, da Bahia, que ficou famoso em Salvador, ao dançar ritmos populares durante a celebração da missa no dia de reis de 2011? A Festa de Reis é uma grande comemoração e as ruas do bairro da Lapinha estão cheias de turistas, e até dentro da igreja. Em cada missa, o padre Pinto era um show – ele, um bailarino de formação, que estudou balé no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nesse ano havia adotado escandalosas roupas coloridas para homenagear as diferentes raças e lembrar os três reis magos. Nessa missa de reis, padre Pinto prestava homenagem a “oxum”, a orixá das águas doces, e ele garantia: “A igreja sabe, Dom Geraldo sabe, e a CNBB sabe, o povo é que se assusta”.
A tal missa começou com uma evolução que lembrava os antigos rituais indígenas e em seguida, o padre mudou de roupa e voltou a arriscar uns passos. No sermão, padre Pinto respondeu a uma carta de um grupo de fiéis, que pedia seu afastamento da igreja. “Eu não quero sair daqui, eu quero morrer no altar!”, disse ele. O sermão da sacrílega missa blasfema foi terminado com gritos histéricos do padre afirmando repetidas vezes: "não quero sair daqui... não quero sair daqui... quero morrer no altar”... Agora eu me pergunto: como foi possível se chegar a este sacrilégio? Como alguns fiéis o aceitaram como se fosse a "coisa" mais normal do mundo católico? Que vergonha! Depois de muita polêmica, o padre José Pinto sumiu, e à noite ele não apareceu mais para celebrar a missa que encerraria os festejos de reis. Que disseram seus superiores? Onde o esconderam ou para onde o transferiram? De quem é a culpa?
Algum tempo atrás escutei falar de um bispo de Mato Grosso do Sul, que ameaçou de excomungar os fiéis que participassem da Missa Tridentina - isto é, a Missa que em 1969 foi substituída pela Nova Missa. Gostaria de saber o que diria esse bispo sobre a "Missa" de oxum e sobre esse "padre bailarino", que "presidia a assembléia in nome de OXUM”! Será que o ameaçaria ou estaria com oxum? Será que esse bispo aprova os fiéis que acham "que hoje tudo está bem"? Realmente não sei. Tudo indica que há uma espessa argamassa de ignorância religiosa que parece ter sido consolidada por erros de quem deveria estar ensinado a doutrina de Cristo. Em troca de que há um permissivismo de certos superiores? Seria pela fama e dinheiro?
Concluindo, lembro o escândalo causado pelo ex-padre Alberto Cutié, pároco de Miami Beach, um bonitão que encantava a muitos com seus programas na rádio e televisão americana, até que foi fotografado de calção, deitado numa praia, abraçado a uma garota e com sua mão dentro da parte inferior de seu biquíni. Seria isso parte de uma nova forma de evangelizar? Não creio que a Igreja necessita de sacerdotes para shows, mas sim para celebrar os sacramentos!














