Crônica publicada no "Monitor Campista" em 24 de dezembro de 2006.
Não ha tradição mais universal que nos une e identifique tanto como a celebração do Natal. Só sua menção basta para trazer emoções, excitação e alegria às crianças, dias de festa e bons momentos para os jovens, e gratas saudades e esperança para os adultos.
Alberto R. Fioravanti.
24 e 25 de dezembro de 2006. Um fraternal abraço e os votos de Boas Festas para todos, onde quer que se encontrem. Desejo que a alegria desta temporada se estenda por todo o Ano Novo de 2007 e que nos permita de aproximar, cada vez mais, de todos os seres humanos como um grande povo de mil rostos, mas de um só coração. O Natal é a festa cristã mais importante, junto com a Páscoa, na que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. As Igrejas cristãs, a Católica e a Protestante, celebram o Natal em 25 de dezembro, mas a Igreja Ortodoxa o celebra em 7 de janeiro, pois não aceitou o calendário Gregoriano que reformou o calendário Juliano da época romana.
Nos idiomas latinos a palavra Natal ou “Navidad” provem de "natividade" ou nascimento. Os anglo-saxões utilizam o termo “Christmas”, cujo significado é "missa de Cristo", e em algumas línguas germânicas, como o alemão, a festa se denomina “Weihnacht”, que significa "noite de bênçãos". Historiadores e estudiosos da matéria afirmam que Jesus não nasceu nem em dezembro nem em janeiro, mas que com toda probabilidade teria nascido em setembro. Quando a Igreja converteu ao cristianismo os povos pagãos do norte da Europa, constatou que a festa mais importante para eles era o solstício de inverno, ou seja, o dia mais curto do ano, a partir do qual os dias voltavam a ser mais longos. É compreensível que se celebrasse nesse dia algo muito especial, porque nessas latitudes, durante longos meses do ano havia poucas horas de sol e, pelo contrário, muitas horas de escuridão. O solstício de inverno cai em 21 de dezembro e esses povos, que chamavam esse dia como a festa da luz ou do sol, o celebravam colocando velas ou tochas nas árvores.
A Igreja não quis arrebatar aos povos pagãos sua principal festa impondo-lhes outra, de forma que fez coincidir a data do nascimento de Jesus Cristo com o dia do solstício de inverno. Durante muitos séculos o Natal foi uma festa de caráter essencialmente religioso e solene, e era quando se reuniam os familiares e amigos para celebrar conjuntamente o nascimento de Cristo. Em tempos mais recentes esta festa adquiriu um caráter comercial, na qual a maioria das famílias reunidas em torno de uma árvore de natal trocam presentes. Foi este caráter comercial que converteu o Natal, em forma crescente, numa festa popular na maioria dos países do mundo, independentemente de suas crenças religiosas. Mas, em tudo isso, onde está o menino Jesus? Onde está aquele menino da manjedoura que os magos do oriente foram adorar?
Para obtermos uma resposta devemos primeiro estar conscientes que a cada dia morrem 35 mil crianças por causas evitáveis. A pesar dos progressos, na América Latina a desnutrição crônica de menores de 5 anos é de 16% (UNICEF) e 18% dos partos não tem assistência médica (OPS). No Brasil 190.000 crianças morrem por ano por males relacionados com a pobreza, enquanto que na região norte da Argentina ha um 80% de pobreza infantil. Uma outra inversão fundamental, que deveria ser prioritária, está na área da educação, pois segundo o UNICEF, prolongar um ano mais a escolaridade das crianças da América Latina permitiria reduzir a mortalidade infantil em 9 por mil. A educação faz a diferença a nível individual como das nações, ainda mais numa economia global, baseada cada vez mais na aquisição de conhecimentos.
Está comprovado que nas empresas privadas a taxa de retorno da inversão em educação de seu pessoal triplica à realizada em infraestrutura e equipamento. Países como Coréia, Japão e Israel gastam com a educação mais de 7% de seu Produto Bruto, quando a América Latina dedica menos de 4,5%. Na Argentina 79,6% dos jovens pobres não terminam a secundaria, enquanto que nos Estados Unidos 54% dos jovens de 20 a 24 anos com escola secundaria chegam à universidade, e no Brasil somente um 6% conseguem. A conseqüência do deliberado Apocalipse desatado contra os jovens é enorme - no mundo mais de um bilhão de crianças sobrevivem debaixo do umbral da pobreza.
Mas hoje já é Natal. E que vamos fazer? Não devemos procurar o menino Jesus, o menino Deus, nas imagens bonitas e delicadas dos nossos presépios, mas sim devemos procura-lo entre aquelas crianças desnutridas que nesta noite santa foram dormir sem ter nada que comer!

